Vulgarmente, paira sobre mim uma pesada sensação de nada. Um vão,um intervalo muito longo que esqueceu de acabar,uma falta de alguma coisa que eu não sei o nome. Talvez sejam só esses dias isentos de pressa e obrigações, talvez seja eu, talvez tudo.
É então que às vezes, saiu a dar voltas fora de mim: escapulo pra me observar.
Depois desse passeio, não tenho vontade de voltar pra casa,pra mim. Assim como um passarinho que,vendo-se livre,entende que suas asas foram feitas para voar e alcançar os céus e beijar o vento,não vê mais sentido em retornar a gaiola.
Mas eu volto sempre,como também o passarinho que desaprendeu a ser.Volto pro abrigo que só não me protege de mim mesma, dessa outra que mora aqui e que também atende pelo meu nome. Ela, que quando a vida chama para uma dança, recusa e me deixa trocando passos com a solidão. Ela, que é cheia de idéias inalcançaveis e não me deixa andar de pés descalços nem brincar com a chuva. Ela,que acha um desaforo eu achar desafio voar sem ter asas…
Ela que está sempre tão preocupada com o que há de vir,e me rouba o que poderia já estar sendo…troca as minhas palavras,me silencia outras; afrouxa as minhas certezas, sublinha os meus medos.
É dela que,ora tento me proteger,ora me desvencilhar,enfim aparecer…é ela que,enquanto existir, enquanto reinar em mim,não me deixará viver.
Em:
29/11/2010 ás 8:35am | Reblog this!

Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas.
Pouco não me serve, médio< não me satisfaz, metades nunca foram meu forte!
Todos os grandes e pequenos momentos, feitos com amor e com carinho, são pra mim recordações eternas. Palavras até me conquistam temporariamente... Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.